terça-feira, 18 de maio de 2010

Planeta Góes 5 de 9: Dois textos sem fim

A minha familia paterna começou a habitar o conjunto açaí lá por volta de 1997. Não sei a data certa.Os terrenos eram incrivelmente baratos, dava para comprar dois ou mais sem grandes arrombos financeiras. Bem, o lugar era distante. Bastante distante. No entanto, logo os tentáculos mal desenvolvidos da cidade iriam chegar no lugar. A zona norte da cidade sempre me causou uma curiosidade. Afinal de todas as 4 partes da cidade é a que se desenvolve mais loucamente.

Minha mãe ganhou uma casa no conjunto infraero. Pois ela trabalhava para o bicentenário Barcellos. Desabrigamos uma familia pobre. Quem se importa? Eu não me importo. A fiação elétrica do bairro infraero era caótica. Os fios embolados de forma caótica pareciam prestes a explodir e matar o primeiro pobre coitado que estivesse pedalando embaixo deles.Passei apenas uma tarde nesse terrível novo endereço e chorei de horror e angústia.

Meu pai e os meus tios construíram casas realmente confortaveis no bairro açaí.Para a minha surpresa, o lugar realmente se desenvolveu. Hoje, existem mais ônibus para lá do que para a minha casa.Mesmo o meu bairro sendo tão lindo e os passáros cantarem de forma exótica e inocente. Um dia, um lindo passaro morreu na frente da minha casa. Vários morrem. Devido a fiação elétrica mal feita do nosso vizinho francês, um homem burro e decadente.Desconfiamos que ele matou a nossa cadela.

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A banda de rock

A banda de rock foi formada nos anos 90 em Macapá. Era composta de 5 meninos. 4 da igreja que tocavam nos instrumentos costumam a usar e o vocalista, que é óbvio, cuidava do vocal.Este era viciado em alguma droga das baixadas amapaense, no entanto, Deus olhou fundo em seu coração e o recuperou de forma plena. “Se entregue a Deus” disse o próprio Deus.

Para ajudar na compra dos instrumentos, a mulher do baixista vendeu o feto que estava em sua barriga para experiências do núcleo de biologia da unifap.O projeto de bebê foi o suficiente para a banda comprar os primeiros instrumentos e começar a fazer cover da péssima Legião Urbana ( sim, minha opinião ainda está aqui nesse texto). Eles tocaram de forma louca nos bares amapaenses para as pessoas que gostavam de música como eles.

O guitarrista foi o primeiro a sair. Ele explicou : “ A música não me fornece o alicerces adequados para uma boa vida com a minha esposa e a minha prole, eu hei de tentar fazer um concurso público” Ele tentou e passou. Os outros também tentaram e passaram. Essa ainda não é a banda de rock do nosso magnífico titulo.

A outra banda de rock foi formada um pouco mais tarde.6 rapazes, um tocava uma linda harpa. Este, um dia, saiu para olhar a bela frente de sua cidade, o rio e tudo mais. O rio olhou para ele em desafio e ele pulou. As pessoas não morrem afogadas no rio amazonas.Não,não morrem. As ondas provocadas pela correnteza do rio são tão fortes que espatifam as pessoas na parede do cais. Dessa forma, os miolos do pobre harpista voaram sobre os pedestres da linda praça beira rio.

O satanás fez uma linda harpa com estes miolos.

No entanto, esta não é a banda do nosso título. Sou um autor complexo e cheio de artifícios literários. O leitor esperava outra coisa desse texto, assim como esperava outra coisa da magnífica série Planeta Góes em nove fascinantes capítulos. Ele esperava que eu usasse do meu humor genial, do meu lindo dom de contar histórias para falar mal do seu vizinho. Jornalismo no fim das contas deve ser isso. Falar mal do seu vizinho. Eu falo mal dos meus vizinhos, no entanto, a parede do mundo que eu escrevo jamais deve ser violada. Pois ela ainda é uma das poucas coisas sagradas no mundo para mim.

A outra banda de rock foi formada por jovens que conheceram a internet. Durou tempo suficiente para eles terminarem o ensino médio. O trompetista passou um tempo viajando pela Áustria e comprou um lindo livro negro. O livro, apesar de negro, descrevia lugares lindos e verdes. Cada capitulo era um nome de Deus. O nosso Criador tem diversos nomes. Como todo bom bandido e falsário. Um deles tinha uma vista parecida com a da sua cidade, na frente da cidade havia um lindo forte.

Mas onde ele morava havia um castelo. E ele se matou. Desculpe, eu realmente não consigo fazer um desfecho genial para cada personagem estúpido que eu crio. Repeti o recurso do suicídio e do concurso publico pois são os que mais combinam com a nossa realidade.Quem não se matou ainda, vai fazer concurso publico.

Não havia drogas onde eles moravam. Macapá no meu texto não possui drogas. Drogas nunca fizeram parte da minha vida. Apenas as lícitas. Adoro tomar lindos remédios coloridos, pois eles me fazem sentir parte de um grupo e, nas horas vagas, curam as minhas doenças.Minha mãe,recentemente, descobriu na minha gaveta, um bocado de papéis constrangedores. Entre eles, havia as magníficas histórias de jason, o pingüim.

Jason vivia na Antártida, um continente , que como todos sabemos, é muito frio. O iglu e o gelo no chão da sua cabana eram as únicas companhias do pobre Jason.No fim da história, Jason se suicida porque o gelo descongela . Mais um suicídio. Desta vez, minha mãe pensou que se tratava do meu. Bobagem. Eu não me suicidaria fácil. Adoro as coisas do mundo. Um dia desses, chorei quando descobri que estava vivo depois do surto de gripe suína. Deus é um cara abençoado e olha por mim. Mas eu quero que ele se foda.

Estou enjoado de escrever. Muito cansado. Por isso vou pular as outras 19 bandas que eu havia planejado descrever. Todos os membros se suicidaram. O sangue deles cobriu todo o rio Jarí. Todos se banharam nele de forma inocente e louca. O brilho escarlate emanava por toda a cidade. As lindas crianças do Jarí que estavam transando com os seus clientes pararam com o ato para ver o brilho. Todos nós choramos por eles. Todos nós gritamos de desespero. Todos nós rastejamos como lesmas e guinchamos como porcos e a aurora nunca foi tão triste.

Surgiu a ultima banda. A do nosso título. Dois irmãos a criaram. O bebê não chorou, pois nasceu decapitado. O pau mole e infantil ejaculava pus nas enfermeiras. O pus cheira a álcool, vocês já cheiraram? Uma vez, estava tão porre que pensei que tinha tomado pus , ao invés de tomar alguma bebida alcólica. Meu avô morreu com uma bola de pus gigante em seu abdômen. Minha vó lembra que os enfermeiros escarneceram da pústula. Uma explicou o motivo da piada, meu avô era um homem barrigudo, daí, a pústula parecia uma segunda barriga.

Toda piada é engraçada, desde que o rosto do palhaço não seja focado. Imaginem, alguém que escorregou em uma banana. Vista de longe, a cena é impagável. Quando o rosto do palhaço é focado, surge a expressão de dor. Se um raio-x atravessar a carne do palhaço, ele revelará alguma fratura. Se a pústula estivesse no prato dos enfermeiros, ela não seria motivo de riso.Eu copiei essa linda passagem poética de um filme que eu vi.

A nova banda formada pelos dois irmãos pretendia juntar todas as bandas em apenas uma. Os membros que sobreviveram, é claro. Todas iriam divertir as pessoas para sempre e prende-los numa redoma de amor e felicidade.Esse objetivo seria consolidado por um violino gigante que ficaria no centro da cidade.Todos riram da empreitada. Que deu bastante errado no início, no meio também . Um irmão culpou o outro.

“Não preciso de você, irmão. Nem do seu afago. Nem do seu olhar amigo.Nem da sua companhia. Irei esquecer você e a sua memória será como as folhas levadas pelo vento. E eu...”



quinta-feira, 6 de maio de 2010

Planeta Góes; 4 de 9: As lindas praças amapaenses.

Meu avô nos contou um acontecimento terrível que ocorreu na praça nossa senhora de conceição(letra minúscula mesmo):Uma senhora foi espancada, estuprada e esquartejada. Problema dela. As pessoas nasceram para morrer esquartejadas mesmo, isso está marcado em suas peles. Gados do inferno, filhos do pecado, amantes do prazer efêmero, todos merecemos nada menos que isso.

Enquanto a história era contada, foi questionado o que uma senhora fazia na madrugada, em uma praça tão escura como aquela, quase sem iluminação, sem policiamento. Choveram sugestões."Talvez, ela fosse uma velha, mas ainda possuía fogo no cu e estava procurando por um amante" indagou uma tia-avó minha que tem os dedos amarelados de tanta nicotina, tem três filhas e uns netos. "Ela devia vender droga, depois do caso da vovó do crack, todos são suspeitos explicou um outro tio meu.Como o amado leitor pode perceber, a minha família é cheia de detetives.

Na verdade, estou cansado de falar dessa senhora. Ela devia estar praticando cooper.Um esporte na terceira idade faz muito bem. O corpo esquece que é velho graças a algumas substancias químicas liberados pelo cerébro, mas quando os muscúlos esfriam, a dor e a precariedade de viver por tanto tempo voltam. O ideal então para manter a forma é morrer aos 30 anos. Jesus morreu aos 33. Tiradentes tambem. Che Guevara idem(na verdade, eu não sei).

O governo góes teve como destaque de atuação, a construção de lindas praças. O parque do forte, a primeira delas, me encheu os olhos quando eu vi.O campo verde, lindo, impecável que se estendia por todos os arredores da fortaleza fizeram meu pobre coração quase fraquejar de tanta felicidade. Estávamos livres, ao menos naquele lugar das desgraças do mundo.O vento cheirando a merda, que veio logo depois, me fez que lembrar que ainda moro aqui nessa ilha, nesse limbo.

O vento fétido é uma mácula na orla de nossa cidade.Todas as pessoas lindas da nossa cidade se empilham diante do nosso lindo rio.O vento pestilento chega e lembra a todos que dentro dentro de nossos corpos só há merda e um dia, essa merda baterá no nosso rosto e nós vomitaremos toda a bebida e comida que compramos com o nosso dinheiro inútil.

O bairro buritizal tambem foi presenteado com uma linda praça. O point possui um lindo parque, banheiros pagos( 50 centavos), alguns banquinhos a mais e lindos slogans de desenvolvimento.No meio da praça,imponente, está uma gigantesca caixa d'agua pintada de azul.Ela já foi cinza no passado e as pessoas se jogavam de lá para morrer no barro batido.

Hoje, o cidadão suícida que morreu naquele lugar e está aprisionado lá para sempre, deve conviver com a felicidade das crianças(sempre falsas e dissimuladas), o transar apaixonado dos namorados(que fede a pecado) e todo o amor do mundo vivo.Tudo isso é besteira.

Antes de morrer, o nosso cidadão suicida foi abraçado por um vento realmente forte e não tão fedido e enxergou um lindo coração no horizonte. Só depois de morto, que ele deve ter percebido que na verdade, este coração pertence a DOMESTILAR.

terça-feira, 13 de abril de 2010

“Do Mastigativo ao Defecativo”

O “metal” cristão começou nos meados dos anos 70, as primeiras bandas que começaram com esse estilo foram a Jerusalém, Messiah e a Resurrection, não sei quem começou ao certo, mas a ordem dos bolos fecais não altera a defecação.

O “metal” cristão obteve certa popularidade com o tempo, e se expandiu e tomando reconhecimento pelos quatro cantos do mundo até hoje. Inclusive em nossa cidade, Macapá- Amapá- Brasil.

Portanto irei falar de uma dessas bandas de “metal” cristão aqui de nossa pequena cidade, mas deixarei ela mesma se apresentar:

“RELEASE INTRUHDER

Formada em janeiro de 2008 a banda INTRUHDER já é uma banda de

grande referência no metal independente do Amapá, sendo mais preciso

no Metalcore, apesar da ideologia Cristã em suas letras, o peso e brutalidade

não são deixados de lado. Formada por Paulo (vocal); PJ (teclados);

Rodrigo (Guitarra Solo), Pablo Henrique (Guitarra Base – back-vocais),

Alex Bruno (Bateria) e Alecssandro (Baixo); a banda já conta com um cd EP

que já pode ser conferido em seu Myspace.

A banda faz parte do Coletivo Palafita e da Frente Pólvora Cultural, sendo

que já tocou em eventos importantes no estado, como: Festival Quebramar 2008

e 2009, Grito Rock 2008, 2009 e 2010, os quais fazem parte do Circuito Fora

do Eixo, tendo grande visibilidade no cenário independente a nível nacional.

Mostrando que a cena do metal independente vem crescendo a cada dia a

Intruhder mostra o seu trabalho com muito profissionalismo, mostrando ser

uma das grandes promessas para 2010”

Esse é o texto de apresentação de sua demo, e retirado da mesma. Iremos ao âmago da questão, vou dissecar aos poucos alguns pontos dessa apresentação para melhor compreensão dos motivos que crio esse texto:

“Formada em janeiro de 2008 a banda INTRUHDER já é uma banda de

grande referência no metal independente do Amapá”

Ao meu entendimento sobre a “referência no metal amapaense”, é quase um titulo, e essa posição é dada para bandas com anos e com trabalho qualitativo e não apenas quantitativo. É o reconhecimento do trabalho e contribuição para a cena de metal, é dado pelo publico e não pela própria banda. Acredito que todos concordam com isso, por tanto, onde esta a qualidade dessa banda? Um instrumental completamente chato, as musicas completamente idênticas, não dá para diferenciar uma da outra, o vocal estupidamente ridículo que mais parece varias gralhas roucas em uma dia lindo de verão no Curiaú, apensar de não ter gralhas lá, mas imagino que seria desse jeito.

“sendo mais preciso no Metalcore”

Metalcore é um estilo que se iniciou nos anos 80 nos EUA, precisamente em New York city. Sinceramente, não curto muito qualquer estilo que tenha esse “core” no fim, salvo algumas bandas, mas para mim isso só veio para “abaitolar” o rock e agora o Metal. Se forem pesquisar fotos de “Metalcore” no Google irão ver um bando de EMOS enrustidos, cabelinhos feitinhos, camisinhas coladas, tênis de marca e uma cara de criança mal criada que ganhou um Aquaplay no lugar de um Playstation no natal.

A Intruhder, ou melhor, como eu mesmo gosto de chamar, a Intulho, não foge da regra no quesito ou esquisito estilo Metalcore, garotinhos novos cheirando a leite que gostam de bater fotos na frente de casas velhas abandonadas na Leopoldo Machado usando camisas pretas e com um espelhinho no bolso dando aquele toque no visual, com muito gel do mini-box, e principalmente a perturbação de identidade na adolescência, isso conta muito para escrever suas letras como “ARMAGEDOM”, “A BASE”, “CAOS”, “SISTEMA FALHO” e “CAMINHO ESTREITO”, é tudo bem típico do estilo para tocar um som cuja a intenção é ser brutal e agressivo com o intuito de pregar a paz, lembra muito as táticas de paz do Bush. (risos)

“APESAR da ideologia Cristã em suas letras, o peso e brutalidade não são deixados de lado”

Morri de rir quando li esse “APESAR”, irei explicar os motivos.

APESAR - “Contra a vontade, a objeção de, contrariamente a. Casou-se apesar de os pais não terem dado seu consentimento. Vou sair, apesar de estar chovendo”

“Contra a vontade”, a meu ver a própria banda é contra o White Metal (metal cristão), acredito que eles querem levantar outra temática mais tem medo de ir para o inferno. Não acredita na própria bandeira

E por fim:

BRUTALIDADE – “Ação agressiva, ou comportamento violento”

IDEOLOGIA CRISTÃ – Todos sabem no que se baseia essa ideologia, praticamente é o respeito, amor ao próximo, paz, amar deus sobre todas as coisas e seguir os ensinamentos de Cristo.

Pensando nisso, será que Jesus Cristo escutaria a demo da Intruhder? Acredito que nem o Demo escutaria a demo dessa banda. A “brutalidade” do seu som, e essa coisa de ser tão agressiva (pelo peso e por ser ruim demais), é tudo tão contraditório e tosco. O som deles é tudo aquilo que Jesus lutou contra. Não preciso falar mais nada sobre as contradições desse estilo, deixo por conta de vocês.

Juro para vocês que eu tentei escutar a demo completa, mas não consegui, e foi por dois motivos, o primeiro é por que é ruim demais, fraca, se peso, o vocal extremamente grotesco e a falta de criatividade bate de quina na testa, e o segundo motivo foi por que minha mãe falou “menino desliga esse som que isso é musica do diabo”.


Felipe Façanha

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Planeta góes(3 de 9): O desgraçado


O desgraçado apontou para o quadro na minha sala e perguntou o que era. Eu adquiri uma perna quebrada nos ultimos dias, caí numa vala e quebrei um osso pequeno. Minha alma e o meu corpo choraram em uníssono.Mesmo assim respondi ao desgraçado que não sabia do que se tratava o quadro, mas sabia a sua finalidade. Minha casa fica na beira de uma larga, vasta, terrível, horrenda, mórbida e desolada lagoa. A umidade, nos dias de chuva, atinge niveis crítico e num desses dias de chuva, a parede ficou cruelmente infiltrada.Um buraco, amigos. Um buraco na nossa pequena sala. Minha mãe gritou de desespero e culpou eu e a minha irmã , mas logo depois trouxe um quadro hediondo para cobrir o buraco. O quadro é ridiculo: Uma aquarela chata e confusa de cores. Uma espécie de bastão horizontal e em cada ponta, mais dois bastões vertical.

Fiz uma cara bastante desagradavel para o desgraçado e saí da sala. Fui deitar no meu quarto.Sim, Deus podia ser mais piedoso com a minha perna.Deus me odeia, caros leitores. Ele me espreita de forma divina para rir da minha miséria.Eu o odeio tambem. O nosso ódio recíproco acaba se anulando devido aquela regra matemática e vira um nada, um vazio terrível. O desgraçado veio capinar a frente da minha casa. Eu moro no conjunto Cabralzinho. Todas as casas tem o set do filme Avatar em seus quintais, porem não nos importamos com os lindos seres que podem morar lá. Chamamos caras como o desgraçado para limpar os nossos quintais. Por dez, doze reais eles capinam ,sem reclamar, debaixo de um sol terrivel ,varios hectares de quintal.

O desgraçado limpa nosso quintal há uns cinco anos. Ele chegou com um ciso atravessado na gengiva no posto de saúde onde minha mãe trabalha.Minha mãe fez uma cirugia complicada para arrancar o maldito, mas conseguiu com louvor. Depois, ela recomendou para ele, nisulide de doze em doze horas, o desgraçado confessou que não tinha dinheiro para comprar remédio e assim ele acabou no nosso quintal.Minha mãe odeia o mato e pede a ele que venha na nossa cada de quinze em quinze dias. Ele chega 8 da manhã e fica até a hora do almoço , ganha 20 reais e depois vai na cantina do canto da minha casa e compra uma garrafa de 51 e outra de coca-cola.Ele derruba 75% da garrafa de coca e preenche o vazio com o destilado. Isso, segundo ele, mantem o corpo disposto para uma grande viajem( ele mora no novo horizonte). Eu sempre o odiei. Eu e a ex empregada doméstica da minha casa,chamada rosilene, costumavamos a rir dos barulhos que ele fazia enquanto capinava, uma espécie de "hum hum" sexual. Paramos quando um dia ele chegou com uma ferida imensa na perna esquerda. O pus escorria pela perna dele e fedia bastante.

Nunca gostei de trabalhadores braçais.Suor me incomoda bastante. Meu pai me repreendeu uma vez, durante a minha infância, por ter feito uma expressão de nojo ao ver um homem suado.Ele me explicou que suor é o liquído da dignidade. O homem digno deve sempre suar. Para sustentar a sua família, para ajudar as pessoas necessitadas, para satisfazer a mulher que ama, para carregar a imagem do nosso senhor Jesus Cristo durante a via sacra, pois, todos sabemos o esforço terrível que o filho de nosso salvador fez para carregar aquela terrível cruz. Não sou um homem digno, odeio Jesus Cristo. Não preciso suar como ele e espero jamais precisar. O desgraçado suava como um perfeito desgraçado. Talvez, a pinga expelida pelos seus poros se misturava com a pele imunda e já fétida, causando o pior dos fedores.Duvido que Deus aceite pessoas imundas em sua terra de cristal. Jesus sempre parece sempre tão limpo nas ilustrações.

Minha mãe disse que o desgraçado passou um tempo na prisão. Quatro anos. Na primeira candidatura do nosso atual ex-governador. O desgraçado ama Waldez Góes. Quando trabalhava balançando bandeira com o numero 12, ele se encantava com a postura, o carisma e a bela mulher do candidato e pensava que talvez por simplesmente estar participando de algo com esse homem magnífico, algo mágico e sem limites iria acontecer com ele. Deus ilumina quem anda com pessoas iluminadas. O desgraçado passava aproximadamente 6 horas balançando bandeiras azuis em diversos locais e ganhava uns quintais de remuneração. O trabalho lhe conferia um sorriso satisfeito e um senso de dever magnífico. Isso o alimentava, isso o fazia dormir o sono dos justos. Demorou um pouco para ele ver o candidato pela primeira vez. O encontro aconteceu em algum comitê por aí. Ele apertou a mão do candidato com firmeza e dignidade e pensou no seu velho pai no estado do pará, na cidade de castanhal, que apertou a mão do presidente Getúlio Vargas. O filho continua a obra do pai.

O candidato pouco visitava o comitê em que o desgraçado recebia as suas bandeiras azuis. A campanha política é algo realmente estressante.Para um candidato passar 4 anos roubando em qualquer instancia,ele precisa passar pelo ano mais estressante de sua vida:Abraçar pobres, lidar com assessores danados, ceder pequenos favores e coisas desse tipo são apenas a ponta da estátua de são josé. Eu espero nunca ser um candidato. Articulação política me causa arrepios. Odeio articuladores e odeio a minha vida. De volta ao desgraçado, nessa época, o nosso personagem ainda não era capinador de quintais. Alguem dissera a ele ,que trabalhando agora com o candidato góes, ele poderia arranjar um emprego, assim como algum conhecido que ele vira ascender milagrosamente sem estudo, sem talento ou sem esforço. Isso o estimulava, a bandeira vibrava com mais força nas horas que ele imaginava uma vida tranquila, livre dos pequenos obstáculos que a pobreza impõe a desgraçados como ele.

Amigado com uma mocinha bem mais nova que ele, o desgraçado sofria pequenas auto-humilhações. A bela garota era uma vagabunda nata igual a todas as mulheres.Isso o irritava, pois ele sabe que só o que pode dominar uma vagabunda é dinheiro, pau grande ou porrada. Ele não tinha muito dinheiro e eu não sei o tamanho do pau dele. Não perguntei a ele.Porem, a mocinha metia a porrada nele sempre que o desgraçado pisava na soleira de sua casinha desgraçada. Para descontar tal raiva, ele possuia o ânus da vagabunda até que o sangue manchasse a colcha do snoopy que ele usava na sua cama de solteiro. Algum sábio sádico deve ter dito a Adão que copular violentamente com uma puta devia exercer algum tipo de poder sobre ela.Como Adão e Eva eram os únicos humanos do paraíso, essa pequena bobagem deve ter ser dita por algum bicho.O pato, provavelmente.O desgraçado acompanhava na tv, como o candidato e sua mulher tinham uma relação perfeita. Os três requisitos acima deviam ser demasiadamente proeminentes no candidato. Faltava pouco para sair daquela vida, bastava ele balançar mais e mais a bandeira.

Claro que tudo deu errado. Se tivesse dado certo, ele não estaria capinando quintais. No entanto, tudo foi mais trágico do que apenas ele perder um cargo importante.Durante um comício para a campanha do candidato 12, o desgraçado bebeu demais e acabou no comício errado.Vestido de azul em um mar de pessoas vestidas de amarelo, ele teve um ataque de fúria e começou a socar aleatoriamente quem visse na sua frente.Socou uma velha vestida de amarelo, o sangue escorria entre os dentes falsos dela. O ângulo que a boca formou ,devido ao soco, deu impressão que a velha sorria dele, de sua desgraça, de seu pênis mediano, de seu relacionamento mediocre, dos seus pequenos feitos, da sua vida desgraçada, do pai que morrera devido a uma operação de homorróida, do seu boné azul e todo o conjunto medonho que compunha a sua vida rídicula. A velha deveria morrer, pelas mãos dele. Infelizmente, ele não teve tal oportunidade. Uma multidão enfurecida o espancou com tanta força que ele desabou sobre uma pilha de Capis Sorridentes impressos em santinhos de campanha.

Passou o resto da eleição na cadeia. Lá dentro, ele soube que o seu candidato havia perdido para o candidato Capi. Um preso na cadeia disse que o 40 era imbatível. Tudo bem.Não havia motivos para discordar. A garota que ele namorava foi visita-lo na cadeia, porem disse que não iria mais. Não queria ficar mais pulando de perna aberta em cima de um espelho. Ainda mais se fosse por causa dele.Ficou na eleição por 4 anos. O tempo de um mandato.Carimbado como desgraçado por ter vivido tanto tempo com esfoladores, esquartejadores, estupradores, pedófilos e toda escória que perdeu a graça de Deus como ele, jamais conseguiu emprego em lugar nenhum.Alguem sugeriu que ele poderia capinar quintais. Era fácil,bastava puxa a terra com a pá e limpar o terreno. E assim, ele acabou no meu quintal.

No mais, rimos da história toda. Eu, minha mãe e o empregado.Todo desgraçado tem o que merece. Um vento forte e terrivel soprou da lagoa dos indios e derrubou o quadro da sala, eu segurei ele da melhor forma que pude com a minha única perna. Minha mãe pagou o desgraçado e esperou ele sumir na esquina. Trancou as portas da casa para evitar furtos e em seguida, se sentou para almoçar.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Planeta Góes. Capítulo 2 de 9: A degradação sexual da familia Reale.

Meus primos tinham brincadeiras eróticas demais. Todos se reuniam em um quarto que ficava no meio da casa da minha vó, esse lugar em especial tinha ar-condicionado e muitos colchões, ou seja, o ideal para crianças brincarem o dia todo. No entanto, minha família nunca foi muito de pira-pega ou garrafão. Devido a nossa educação terrivelmente cruel e limitadora, acabávamos nos tornando pequenos adultos retardados, imitações distorcidas de nossas figuras materno-paternas. Daí nossas brincadeiras não funcionavam como entretenimento infantil e sim como ensaio para a vida adulta que teríamos em 10 ou 15 anos.

A brincadeira favorita era Mundo dos Executivos. Dois núcleos de uma empresa eram formados por 5 ou 6 primos cada um e começava um terrível jogo de poder e sexo para ver quem seria o maior e mais poderoso executivo.Nessa brincadeira, eu era o motorista da minha irmã. E ficava no canto, espionando as terríveis negociatas que ela fazia, manipulando meus outros primos de mente mais fraca e simulando sexo animal e selvagem com outro primo meu, que era dono da empresa rival. Aos empregados da minha estirpe, as partes sexuais da brincadeira eram restritas. Para mim, que era considerado o primo seriamente doente, quase todas as partes da brincadeira eram restritas. Tinha um histórico de comportamentos suspeito. Comia papel, pontas de grafite, borracha, bebia tinta e cheirava cola polar.Nas partes mais violentas da brincadeira, eu era convidado a me retirar do quarto.

Em uma dessas, contei tudo para a minha vó.Minha vó materna é bem diferente da minha mãe. A mulher que me pariu é histórica, neurótica, descabelada e seriamente desequilibrada. Minha vó não é assim. Ela morou em um interior realmente interiorano de Belém, quando via uma garça na tv, ela se lembrava de quando era criança e via o belo pássaro no rio, elas e os irmãos nadavam até o bicho, quebravam o pescoço da garça e, em seguida, comiam a criatura sem preocupação ou culpa nenhuma. Eu jamais comeria uma garça. Tenho pavor de ver em minha comida, a forma definida do animal que ela foi um dia.

Minha avó desligou o ar-condicionado. Deu umas palmadas com sandália nos pequenos filhos da puta. Eu ria de forma maligna e satisfeita por ver que eu tinha derrubado os dois impérios de sexo, ambição e perversões sem fim. Depois de punir a todos, ela mandou cada um para a sua casa. O único que restou era eu, pronto para receber as terríveis represálias que viriam de meus primos mais tarde. Minha vó me chamou para ir para a mesa com ela. Quando o relógio batia 15 da tarde, ela gosta de ouvir o jogo do bicho. Na rua que ela morava, o jogo era a grande diversão. Minha vó mora no Utinga, em Belém. Lá não havia grandes prédios. A maioria era terrivelmente pobre, havia poucas casas de alvenaria. O asfalto era de barro. Como ficava em frente ao portão da COSANPA, grandes caminhões passavam toda hora. Um dia, uma criança teve a cabeça esmagada por um desses caminhões, espalhando sangue e miolos nos grandes buracos que o barro formava.

Enquanto minha vó esperava o jogo do bicho, ela contou uma terrível história da infância dela no interior. Quando dois irmãos foram encontrados nus pelo pai. Não se sabe se houve algo entre eles. A irmã dormia alinhada nos braços do irmão. Ambos eram bem novos e ainda não tinham alcançado a puberdade. O pai sempre fora um homem controlado, até demais para os padrões viscerais do interior, mas não suportou ver a cena e matou as duas crianças com um terçado. A mãe fora morta também por tentar intervir. Os vizinhos presenciaram o massacre e atacaram o homem transtornado, quebraram a cabeça dele, amarram o corpo em um pedaço de pau e começaram a esfaqueá-lo. Um dos irmãos da minha vó participou da situação e quando chegou em casa, disse que o homem teve as suas tripas arrancadas para a contemplação pública.

O interior é realmente brutal demais. Ouvimos poucas histórias como essas por aqui.Nossos postes estariam cheios de degenerados, pendurados pela tripa. Este terrível conto ganhou cor e som esses dias. Em um dia de embriaguês, vi andando pela rua, quando vi dois cachorros desavergonhados copulando miseravelmente perto da minha casa. A cadela não tinha uma perna. Mesmo assim, se contorcia toda para receber o falo destruidor e inchado de seu amante, gritava de dor, se contorcia de desconforto. Mas o que dor e desconforto delimitam? A imagem me desconcertou e eu vomitei como um louco.

Durante a noite, no mais profundo dos sonhos, os amantes apareceram. Deitados, a pele úmida, reconfortados, inconscientes do holocausto que os esperava mais tarde.

domingo, 28 de março de 2010

Planeta Góes-(incrivel reportagem em 9 partes sobre a capital tucuju, escrita por Igor Reale). Post de hoje: Sobre o cachorro negro morto.


Uma amiga minha me chamou para dar um passeio. Ela queria apenas passear por passear. Isso acontece muito quando não há o que fazer, nem o que pensar e nem o que sei lá.Sempre tive um problema terrível com esta minha amiga. Sempre fui rodeado de amizades femininas, herança da minha mãe. Fui criado para ser um cabelereiro bicha , dono de um salão e um poodle pintado de rosa chamado charlotte. Dessa forma, sempre me dei muito bem com mulheres (de forma polida) e as mulheres sempre se deram muito bem comigo (de forma imparcial e distante).


Infelizmente, não conseguia achar um meio termo para a amizade que tinha com esta minha amiga.É raro, muito raro, as situações que eu perco a minha imparcialidade,desconfiança e o meu cinismo para com as pessoas. Perdi com ela. Julgava todas as suas atitudes. Os pequenos deslizes que eu deixava escapar nos meus outros amigos, com ela eram julgados de forma cruel da minha parte. Todo sorriso que escapava dos lábios dela, eu considerava duvidoso, falso e pauta para anotar no meu caderno de anotações sobre atitudes duvidosas.Toda declaração de amizade soava como um abraço preliminar para um apunhalamento.

Mesmo assim, eu estava sempre ao lado dela, movido pela traição e pela desconfiança ou por algo bem pior que eu ainda não sabia descrever. Ou sabia. Nunca irei saber.Sou muito prolixo. Irei voltar ao tema principal deste texto. A minha prolixidade deve ser perdoada, eu tenho um problema cruel com coesão. Quando não sou sucinto demais, me perco em palavras que nem sempre são úteis. Minha mãe é assim. Realmente prolixa. Lembro de uma vez que eu estava falando de meus sentimentos em relação a minha irmã para ela e o assunto principal, de repente, se tornou o uso ou o não-uso de batatas fritas no almoço. Sou um rapaz gordo. Batatas fritas contem óleo demais. Trocamos as batatas feitas no óleo por batatas de pacote.

Fui convidado pela minha amiga para apenas andarmos de forma descompromissada, em um domingo. A cidade estava morta. Morta em um novo e vazio sentido. Macapá sempre tem cheiro de algo podre, algo funebre demais para se descrever.Um cemitério de elefantes pequeno e com solo impróprio demais para que os elefantes possam se deteriorar com a devida precisão. Não é culpa nossa.Os indios , antigos donos dessa terra que moram agora embaixo da terra, engolindo vermes devem nos odiar. Afinal, estupramos a terra amada deles. Aliás, não sei se essa terra já foi amada por alguem em algum dia. Não sei se algum morador dessa ilha, já acordou em um dia lindo e agradeceu pela terra que o acolheu. Duvido muito. Os indios nos deixaram como herança algo terrivel: a predileção por suicídio e por serem massacrados pelas circustâncias.

Como já tinha escrito antes, minha amiga me chamou para um passeio descompromissado. Eu a encontrei na praça Veiga Cabral. Me desculpem, mas não sei se o lugar que nos encontramos era essse.Me desculpem. Minha memória esta horrível esses tempos. Houve um tempo, não muito distante que eu lembrava de fatos remotos.Realmente remotos.No passado, odiava esse meu "dom". Afinal, assim como existem boas lembranças, existem lembranças terriveis.Meu pessimismo me faz lembrar com detalhes apenas das piores. Hoje, minhas memória estão mais frágeis e dispersas. O alcool ou o excesso de lembranças devem ter feito isso comigo. Agradeço. Do fundo do meu coração.

Nos encontramos. Eu e a minha amiga. Minha terrível memória me faz lembrar da forma que ela estava vestida, da forma que me cumprimentou. Sempre distante, devido as minhas restrições com cumprimentos calorosos como abraços, beijos na face, apertos no pênis e coisas do tipo. A regra que eu delimitei para ela foi mais perversa: sem abraços. Abraços, na lista de cumprimentos que me enojam, sempre me deixam nervoso e tenso. Minha vó materna sempre odiou abraços. Um dia, quando criança, eu a abracei e dei um chocolate a ela. Ela me olhou com nojo e repressão. Vovó sempre deve ter achado que eu era um pequeno viadinho.Eu não a culpo.

Eu encontrei minha amiga no centro de Macapá. Tenho a impressão que o leitor está terrivelmente irritado com a vagarosidade da narração dos fatos. Devo lembrar que isto é uma reportagem de cunho jornalistico. Sim, ainda é. Pois estou comentando fatos socio-culturais desse estado. O fato do nome "Planeta Góes" está atrelado ao titulo não é de graça. A unica forma que o ser humano encontrou para dar uma opinião sobre algo quando não tem nenhuma opinião formada em sua oca cabecinha foi falar mal do governo. Não sei como anda o governo. Me desculpem. Mas queria receber um bom dinheiro em um bom cargo.

Minha amiga e eu conversamos sobre algo que eu não lembro.Nossos assuntos eram bem diversos. Apesar da confusão horrenda e sentimental que tinha por ela, eu realmente contava coisas bem pessoais para ela. Algo meio Silêncio dos inocentes.Infelizmente, não lembro dos assuntos que conversamos. Que pena.Se eu lembrasse, poderia enrolar vocês por mais 9 paragrafos.Não irei mais fazer isso.

Vimos um cachorro morto na rua. Um grande e terrivel cachorro preto morto. Suas patas estavam em um angulo terrivel. A cabeça esmagada. Minha amiga não suportou olhar para ele e e escondeu o rosto no meu ombro. Fiquei em uma situação realmente dificil. Pois odeio ver coisas mortas e odeio pessoas escoradas em mim. Para tentar contornar a situação, comecei a divagar sobre o cachorro morto.Ele devia ser dono da matilha, afinal tinha um porte realmente grande. Dificil de ver pelas ruas. Acho que os outros cachorros deviam morrer de medo e horror dele. Ele tinha uma coleira. Devia ser de alguem. Um portão deve ter liberado ele para o mundo, para ele espalhar o horror da sua presença gigantesca, porem, um caminhão deve ter o encontrado antes.

Andamos rápido para se afastar do cachorro. Minhas pernas tremiam. Quando o cachorro sumiu de vista. Fiquei aliviado. Acho que minha amiga fumou um cigarro.Não lembro. Não quero lembrar. Ontem faz um ano que vimos o cachorro. Vejo essa minha amiga tão raramente que tenho duvidas se ainda posso chama-la de "amiga". Espero ainda poder.Não ligaria se não pudesse. Mentira minha. Morreria pela chance de encontrarmos outro cachorro morto.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Sobre o filme Lado a Lado

Amigos, estou totalmente destruido de trabalhos e pequenas bobagens. Não consigo mais sentar, me deprimir e simplesmente escrever para esse blog. Estou tentando, isso é verdade. A página de rascunhos está cheia de contos não concluidos, mal-pontuados, frageis em argumentos.Não gosto disso. Não irei posta-los jamais.O texto abaixo é para um blog que tive em parceria com a minha amiga Camila Karina e o meu outro amigo distante e desconhecido Ryzzan, o texto era uma resenha sobre o filme Lado-a-Lado. Não conseguir chegar ao objetivo final , que era apenas falar sobre o filme, ao invés disso, fiz um melodrama retardado e hediondo sobre o aspecto mais traumatizante da minha vida.Enquanto não tiver o que por, nem escrever aqui, colocarei isso.Nem precisava justificar, mas justifiquei. Tenho essa mania. Odeio vocês. Eis a resenha:


Em 2005, toda a guerra hipócrita que a minha tia mais velha travou contra o câncer chegou ao fim. Desde o inicio, ela sempre soube que tinha poucas chances contra a doença, no entanto, o instinto de sobrevivência vem sempre em primeiro lugar (Kurt Cobain discorda). Na mesma epoca, eu fui meio que forçado a morar em Belem para fazer as coisas como vestibular e etc. O sofrimento causado por tais escolhas e dilemas não foram suficientes para que Deus realizasse a sua masturbação diária, então, fui obrigado a morar com a minha tia e a minha vó por 3 longos meses.

Lembro muito pouco dessa época (ainda bem) , mas recordo de momentos horriveis e desesperadores como a sessão de cinema envolvendo o filme Lado a Lado. Uma prima de segundo grau , psicóloga, recomendou que a minha tia tivesse uma espécie de entretenimento reflexivo , ou seja, ela passaria por um momento de grande diversão e em seguida, refletiria sobre a terrivel, desesperadora e cruel situação em que estava . Então, fomos alugar filmes.

Minha prima de segundo grau alugou um filme chamado "Terminais?", que tratava de várias histórias de pessoas pálidas, decrépitas e com um sorriso cheio de morfina no rosto, contando lindas histórias edificantes. Minha irmã alugou Velozes & Furiosos e foi repreendida( em segredo) por não seguir a proposta da dinâmica familiar. Eu me recusei a alugar alguma coisa e fiquei no carro, rezando para que um meteoro caisse em minha cabeça. Minha mãe alugou Lado a Lado.

Quando o sol se pôs, começamos a nossa sessão. Minha prima explicou para a minha familia de parasitas sugadores como era a dinâmica. Todos, inclusive a doente, pareceram realmente desinteressados. O primeiro filme foi "Terminais?". Não lembro o durante do filme e acho que não tenho vontade de me lembrar, assim como não se o nome do filme realmente é esse. O segundo filme foi Velozes & Furiosos. Um primo meu tentou explicar o que era um carro tunado, mas, foi cruelmente interrompido. Afinal, ele não falou de cancer e desgraça.

Depois veio Lado a Lado. Esse filme tem duas questões para se abordar. Primeiro: Quem disse que a Julia Roberts é boa atriz? A atriz bocuda, feiosa , sem-graça e antipática sempre faz o papel de mulherzinha chiliquenta e antipática em todo o filme imundo em que ela ousa participar. Vale a pena lembrar que o unico papel realmente marcante dela foi o de uma puta apaixonado pelo Richard Gere, o galã mais sem sal de hollywood.

Segundo ponto, para quem são feitos esses filmes de mensagens edificantes envolvendo pessoas prestes a morrer? "Filme de câncer" como diria a minha mãe. Tenho certeza que não são feitos para os doentes. Minha tia morreu 3 meses depois daquela sessão de cinema com um tumor que lhe deformava o rosto, inconsciente e delirante...Tenho a impressão que ela não deve ter lembrado nem um momento de Lado a Lado. Nem quando descobriu que o capeta tinha a cara da Julia Roberts.

Postado por Igor Reale